Em prol da melhoria dos pisos de madeira maciça – ESALQ/USP

Em prol da melhoria dos pisos de madeira maciça – ESALQ/USP

O setor florestal brasileiro contribui com uma parcela socioeconômica muito importante, gerando renda e empregos no país. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) e o Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal (FNBF), a indústria de base florestal contribuiu com 1,47% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2012, o que correspondem a 1,60% do total nacional.

No entanto, a comercialização de alguns produtos como piso de madeira maciça, por exemplo, tem sido prejudicada devido a falta de ações estratégicas relacionadas à qualidade. Segundo o engenheiro florestal Ariel de Andrade, a produção dos pisos sem normas ou padrões de qualidades estimulam uma concorrência desleal, favorecendo a comercialização de produtos inadequados. “Além disso, gera desconfiança junto ao consumidor e cria uma imagem negativa do produto madeira”.

Com o objetivo de reverter este cenário, Andrade analisou em sua tese de doutorado, realizada no Programa de Pós-graduação em Recursos Florestais, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), a implantação de um programa de certificação de qualidade a fim de proporcionar benefícios gerais para as empresas fabricantes, bem como estimular a comercialização dos pisos de madeira.

O trabalho envolveu a realização de mais de 120 auditorias de qualidade, realizadas em empresas fabricantes de pisos de madeira localizadas em estados como Pará, Mato Grosso, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Foram aplicadas normas técnicas específicas relacionadas a pisos de madeira e oficializadas junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A análise da qualidade envolveu os itens levantados nas auditorias e constantes nas normas e especificações, que podem gerar não conformidades como umidade, dimensões e defeitos. A média das conformidades, de uma forma geral, aumentou com a realização das auditorias. “Os itens defeitos e dimensões apresentaram melhor constância no padrão de qualidade, entretanto, o item umidade, com elevada variação, mostrou ser de difícil controle com elevado percentual de não conformidades”, conta Andrade.

Segundo o engenheiro, a pesquisa mostrou que a implantação do programa de certificação impactou positivamente, melhorando o padrão de qualidade dos pisos de madeira, sendo que este impacto foi crescente ao longo do tempo. “A melhoria na qualidade dos produtos e redução de perdas também ficou evidenciada nas empresas certificadas em comparação às empresas não certificadas”, afirma. Apenas as empresas certificadas integrantes do programa conseguiram atender os requisitos exigidos pelas normas técnicas e as empresas certificadas apresentaram um padrão de qualidade 30,2% superior ao das empresas não certificadas.

O trabalho foi orientado pelo professor Marcos Milan, do Departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB), e teve apoio da Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira (ANPM) e da International Tropical Timber Organization (ITTO).

By | 2017-05-02T10:25:33+00:00 maio 12th, 2014|Uncategorized|0 Comments

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